quinta-feira, 13 de maio de 2010

Entertainment Weekly faz ensaio com personagens mortos de Lost

A dois episódios do fim de Lost eu ando tão emotivo que já não dá para evitar de ficar postando coisas sobre a série aqui. E dessa vez há um bom motivo para isso.

É que a Entertainment Weekly fez um ensaio chique com atores que interpretaram personagens que já morreram ao longo das seis temporadas do programa. O site da revista Monet diz que um costume do século 19 chamado Post Mortem Photos serviu de inspiração para o trabalho. A revista cita a personagem de Nicole Kidman em Os Outros e conta que tirar fotos das pessoas mortas como se estivessem dormindo para compor álbuns era uma prática comum na época.

O resultado ficou tão legal que dá até para perdoar a ausência do Charlie e da Shannon nas fotos. E também do nosso chapa Paulo (NOT!).

William Mapother (Ethan Rom), Daniel Roebuck (Dr. Leslie Arzt) e Ian Somerhalder (Boone Carlyle)

Cynthia Watros (Elizabeth "Libby" Smith), Marsha Thomason (Naomi Dorrit) e Mira Furlan (Danielle Rousseau)

Harold Perrineau (Michael Dawson), Rebecca Mader (Charlotte Lewis) e Elizabeth Mitchell (Juliet Burke)

As imagens são do Michael Muller.

No site da Monet dá para lembrar quando e como cada um dos personagens acima morreu.

ps. Essa é a penúltima vez que eu falo sobre Lost aqui. É sério.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Sete razões para amar um episódio de Lost


Por que Happily Ever After (S06E11) foi o melhor momento da última temporada de Lost até agora:

1) Porque um episódio sobre o Desmond não tem como ser ruim. E agora o Widmore confirmou o que a gente já imaginava: a ilha ainda não terminou com ele.

2) Porque Happily Ever After representa o início de uma nova linha narrativa na série, onde as duas realidades irão se chocar.

3) Porque só o título do episódio, sozinho, já responde muita coisa sobre a realidade paralela. O que significa que a explosão planejada pelo Daniel Faraday deu certo e a Juliet não morreu em vão.

4) Porque a sequência do Desmond e do Charlie no carro, que acaba caindo no mar, é uma das melhores da série desde sempre. Primeiro porque deu para relembrar You All Everybody, a música do Drive Shaft que parece Rock n' Roll Star, do Oasis. Mas principalmente porque depois que o carro cai na água, o Desmond vê o Charlie apertando a palma da mão contra o vidro da janela recriando a clássica cena da mensagem "Not Penny's Boat", no final da 3ª temporada.

5) Porque a verdade é que pouca coisa andava acontecendo na última temporada de Lost até agora, contrariando todas as expectativas. E aí, quando surge um episódio como esse, cheio de revelações, reviravoltas e frases de efeito que a gente adora, não tem como não delirar. E tudo isso sem as cafonices de Ab Eterno, o melhor-episódio-de-Lost-na-temporada até então.

6) Porque deu para matar a saudade da boa e velha Claire, que ultimamente anda tão estranha e chata na ilha.

7) Porque Happily Ever After também é sobre o amor. Sobre o amor como a constante de alguns personagens. O amor do Charlie pela Claire, do Daniel pela Charlotte, mas principalmente do Desmond pela Penny. E quando o Desmond desmaia só de pegar na mão da Penny, que aceita o convite para tomar um café com ele, Lost até parece uma história de amor. De amor e física.

domingo, 28 de março de 2010

Bandas que perdemos pelo caminho

Eu me arrependo de um monte de coisas. Uma delas é de ter ido com tanto preconceito ao show do U2 no Morumbi, em 2006. É que eu só fui por causa do Franz Ferdinand, que abriu para eles. Do CD mais recente do U2 na época eu só conhecia as músicas que tocavam na rádio. O desinteresse era tanto que uma hora, no meio do show, eu saí da pista para ir ao banheiro. E aproveitei para passar no Bob's que tinha embaixo da arquibancada antes de voltar.

Não que eu tenha começado a gostar do U2 depois disso, mas hoje eu sinto vontade de ir a um show deles de novo, para poder pagar essa dívida. Para curtir um pouco dos efeitos visuais, que são sempre interessantes. E para mexer a boca mostrando que eu conheço algumas músicas (embora ainda ache a maior parte delas ruim).

E aí que eu escrevi tudo isso para dizer que acontece quase a mesma coisa com o Kings of Leon (guardadas as devidas proporções, já que eu prefiro muito mais eles ao U2).

É que em 2005 eu fui ao show do Strokes no Tim Festival, no Anhembi, e o Kings of Leon tocou antes deles. Acontece que eu gostava/gosto tanto do Strokes que tanto fazia se a banda antes deles fosse o Jota Quest, o U2 ou um grupo de caipiras americanos de Nashville. Eu não daria a mínima.

Agora eu vejo o DVD do show do Kings of Leon na O2 Arena, em Londres. A música é Sex on Fire, umas das minhas favoritas da banda. Diante deles, 18 mil pessoas esgoelam a letra sem parar. E é por isso que eu lembrei dessas coisas: para dizer que eu me arrependo muito do dia que não dei a mínima para aqueles caras mal vestidos, com cabelos e barbas horrorosos, tocando alguma música baixa lá no fundo, no ponto mais distante de mim naquele Anhembi. E para dizer que eu preciso reverter essa situação e ver um show deles ao vivo. Logo.

Tudo bem que “aquele” Kings of Leon que eu esnobei não é o mesmo King of Leon desse DVD. Isso todo mundo sabe. De lá para cá, eles lançaram o seu melhor disco: Only by the Night, de 2008. E melhoraram muito musicalmente. De lá para cá, até o Bob Dylan já se disse fã da banda.

A produção do show do DVD é caprichada. O palco é bonito e a empolgação do público só ajuda a somar pontos. Porém o que chama atenção mesmo é o tanto que o Kings of Leon evoluiu ao vivo. E isso é muito bom de se ver. Fora que eles também cortaram os cabelos e passaram a se vestir melhor nos últimos anos. E se isso não influencia nada no som, pelo menos ajuda a despachar para longe a antiga fama de bichos do mato do rock.

(A foto foi tirada da capa do DVD e mostra o público que lotou a O2 Arena para ver o Kings of Leon tocar.)

quarta-feira, 17 de março de 2010

O homem só de Tom Ford

Chamar filmes pelo nome original, não traduzido, na hora de se referir a eles, é coisa de hipster. Mas desta vez eu vou fazer isso para poder falar de A Single Man sem ter que usar o título infeliz que ele recebeu no Brasil: Direito de Amar.

O filme é o primeiro dirigido pelo estilista Tom Ford, que ficou milionário trabalhando para grifes de luxo como Yves Saint Laurent e Gucci - só nos 14 anos em que foi diretor criativo dessa última, ele teria acumulado cerca de US$ 200 milhões. Hoje Ford é dono de sua própria marca. Na Daslu, único ponto de venda de suas roupas em toda a América do Sul, um terno assinado por ele não custa menos de R$ 14 mil.

O estilista se transformou em um dos maiores ícones do mundo da moda das últimas décadas. E isso aconteceu por um milhão de motivos. O esmero de suas criações é um deles. Também soma pontos o conceito de suas campanhas para vender roupa, famosas por cenas de nudez e pelo forte apelo erótico. Junte tudo isso em um longa e o resultado é o melancólico A Single Man.

O filme é tão bonito que parece que cada frame foi retirado de um editorial da Vogue. Enquadramentos, cenários, figurinos, atores, trilha sonora. Tudo é tão impecável que chega a ser inverossímil e incômodo, como se estivéssemos diante de um comercial da grife de Ford.

Rodado em 21 dias e contando com US$ 7 milhões investidos pelo estilista do próprio bolso, A Single Man é uma adaptação do livro homônimo de Christopher Isherwood, publicado em 1964. O filme narra um dia na vida de um professor gay, que, após a perda do companheiro num acidente, planeja o próprio suicídio. Na história original, no entanto, o personagem não planeja se matar. A atuação do Colin Firth no papel principal é uma das coisas mais bonitas que eu já vi no cinema. E ainda tem a Julianne Moore e o ator que fez o menino de Um Grande Garoto, Nicholas Hoult.

Se esse fosse um texto para a Rolling Stone, pesaria no número de estrelas que eu daria ao filme o fato dele meio que ir por água abaixo na cena final, que é de muito mau gosto. Os 120 segundos que encerram A Single Man, antes dos créditos aparecerem na tela, são de estragar qualquer obra-prima. Uma conclusão moralista e piegas para uma história tão bonita e bem contada (e muito, muito triste). Um desperdício e tanto.

(A primeira imagem é de Colin Firth e o olhar mais triste de que se tem notícia. A segunda é uma versão alternativa do cartaz do filme, bem melhor que a original.)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A arte de querer gostar de um filme

Primeiro eu gostei de Amor sem Escalas, do Jason Reitman. Por antecipação, mas gostei. Foi quando eu assisti ao seu trailer, meses atrás. Logo depois vieram as críticas positivas e não tinha como errar.

Embora eu não tivesse gostado nem um pouco de Juno e só um pouco (bem pouco mesmo) de Obrigado por Fumar, filmes anteriores do diretor, agora seria diferente. Um filme absolutamente triste (palavras de críticos de cinema), sobre um homem sendo testado por suas convicções de que relacionamentos são a coisa mais pesada da vida, tem tudo para me agradar. E ainda com uma história ambientada em hoteis, aeroportos e lojas de gravatas, lugares de que gosto tanto. Um filme que aborda a solidão por opção, crises existenciais e angústia e que, no final das contas, vai contra tudo o que prega o cinema americano ao assumir que, na vida, não há mesmo a possibilidade de consertar quase nada. E então veio o texto que o Marcel Plasse escreveu sobre ele no Scream & Yell e eu corri para o cinema no mesmo dia. Principalmente por conta da frase que encerrava a crítica: “é cinema para adolescentes entenderem errado e adultos fingirem não ter entendido”.

O que já deve ter dado para perceber, também por antecipação, é que diante de tanta expectativa só podia dar tudo errado - e o pior é que eu nem tenho um bom motivo para não ter gostado do filme. O George Clooney está perfeito (todos os atores estão), toca Angel in The Snow, do Elliott Smith (e um filme com Elliott Smith na trilha não pode ser ruim). Mas na primeira meia hora de exibição eu já estava olhando para o relógio sem parar, achando quase tudo muito chato.

As pessoas riam e eu ria também, claro. Não ia ficar ali parado, simplesmente olhando para a tela sem fazer nada. Mas a verdade é que eu não entendi muito bem se o objetivo de Amor sem Escalas é fazer rir ou chorar. Talvez eu devesse dar uma chance ao filme e voltar ao cinema, só para comprovar que aquela angústia na hora de ir embora veio mesmo por conta do extrato da minha conta que eu tirei no caixa eletrônico e não pela história contada por Reitman. O duro é que eu nem me sinto um adulto fingindo não ter entendido o filme. Se fosse isso, pelo menos, eu teria uma desculpa particular para não ter gostado dele. E não estaria aqui, me sentindo um alien.